A inteligência artificial está está deixando de ser uma ferramenta isolada para participar da maioria das tarefas do cotidiano.

Tenho apresentado uma tese em minhas aulas, palestras e conversas com empresários e profissionais de diferentes áreas: a inteligência artificial está percorrendo um caminho parecido com o da energia elétrica. Ela está deixando de ser uma ferramenta isolada para participar de conversas, pesquisas, decisões e tarefas reais do cotidiano.

Acredito que a IA está se tornando uma tecnologia de propósito comum, capaz de atender diferentes necessidades e setores. Para explicar como isso já está acontecendo, reuni 20 formas práticas de utilizar melhor a inteligência artificial no dia a dia.

O que é uma tecnologia de propósito comum?

Os especialistas utilizam a expressão “tecnologia de propósito geral” para definir uma tecnologia que pode ser aplicada em diferentes atividades e setores. A energia elétrica atende residências, empresas, hospitais, indústrias e meios de transporte. A internet também passou a sustentar serviços, negócios, estudos, comunicação e lazer.

Eu utilizo a expressão “propósito comum” porque acredito que ela traduz melhor a presença da inteligência artificial nas atividades comuns do nosso cotidiano. Ela pode ser aplicada na educação, na saúde, na comunicação, no marketing, no atendimento, na análise de dados e na organização de tarefas pessoais. Sua função muda de acordo com o contexto, o perfil do usuário e o objetivo definido.

Como a inteligência artificial está entrando em todos os espaços

A inteligência artificial já está presente nos mecanismos de busca, aplicativos, sistemas empresariais, plataformas de atendimento e ferramentas de produção de conteúdo. Ela pesquisa informações, revisa textos, interpreta dados, organiza documentos e começa a executar sequências completas de tarefas.

Os dados brasileiros confirmam esse avanço. Segundo a TIC Empresas 2025, do Cetic.br, 17% das empresas brasileiras pesquisadas utilizavam inteligência artificial. Entre as grandes empresas, o percentual chegou a 50%, mostrando que a adoção cresce conforme aumentam a estrutura e a capacidade de investimento.

Na indústria, o movimento também aparece. O IBGE identificou que o percentual de empresas industriais com 100 ou mais pessoas ocupadas que utilizavam IA passou de 16,9% em 2022 para 41,9% em 2024. As duas pesquisas possuem recortes diferentes, mas mostram que a tecnologia já está sendo incorporada às atividades empresariais no Brasil.

Como utilizo a IA na minha rotina

Essa mudança aparece nas pesquisas e também na forma como organizo minhas atividades pessoais e profissionais. Eu trato a inteligência artificial como trataria uma pessoa com quem trabalho e converso diretamente com ela todos os dias. Faço perguntas, apresento ideias, discordo das respostas, peço ajustes e aprofundo os assuntos até chegar ao resultado que considero adequado.

Meu uso não está limitado à produção de textos. Analiso campanhas de Meta Ads, avalio anúncios, interpreto planilhas, estruturo planejamentos de marketing e pesquiso informações para desenvolver conteúdos. Também utilizo IA para revisar mensagens e preparar respostas de e-mail ou WhatsApp quando preciso organizar melhor o raciocínio ou adaptar a linguagem ao público.

Tenho um clipping diário que pesquisa notícias sobre marketing, inteligência artificial e outros assuntos que acompanho. Outra rotina verifica meus e-mails, identifica o que merece atenção e reduz a chance de eu esquecer uma solicitação importante. Também recebo diariamente sugestões de temas que posso desenvolver nos meus conteúdos sobre marketing.

Na vida pessoal, utilizo a inteligência artificial para pesquisar passeios, comparar opções, montar roteiros de viagem e aprofundar assuntos do meu interesse. Antes de receber qualquer indicação, informo minha idade, minhas preferências, o tipo de experiência que procuro e aquilo que não quero incluir.

A IA também participa do atendimento nos meus sites. Uma ferramenta inteligente recebe o primeiro contato, responde às perguntas iniciais, coleta informações e direciona o cliente para a continuidade do atendimento.

Recentemente, produzi uma landing page utilizando inteligência artificial em todas as etapas. Comecei pelo mockup, trabalhei o layout e avancei até a codificação em HTML e JavaScript. Durante o processo, fui analisando o resultado, pedindo correções e ajustando cada bloco da página.

Nas minhas empresas e projetos, como DMX WEB, Level, ON Academy, ON Labs e Vida Nossa, a inteligência artificial participa do planejamento, da pesquisa, da produção, da análise e do acompanhamento das atividades. As decisões estratégicas, no entanto, continuam sob responsabilidade das equipes.

Pela minha experiência, essas aplicações reduzem em mais de 30% o tempo gasto em algumas etapas do trabalho, principalmente na pesquisa, na organização e na preparação inicial dos materiais. Esse ganho não vem apenas da velocidade da ferramenta, mas da possibilidade de concentrar diferentes tarefas dentro do mesmo processo.

Antes das dicas, existe um ponto importante: pedidos genéricos produzem respostas genéricas. Procuro sempre informar quem sou, o que preciso, quais são minhas preferências e como pretendo utilizar a resposta. Quando o assunto depende de informações recentes, também determino que a IA pesquise na internet e consulte fontes confiáveis antes de responder.

20 maneiras de potencializar o cotidiano com inteligência artificial

Vida pessoal

  1. Organizar os compromissos da semana

Informe suas tarefas, seus horários, as prioridades e o período do dia em que você trabalha melhor. Com esses dados, a ferramenta consegue montar uma programação compatível com sua rotina.

“Sou empresário e professor e rendo melhor pela manhã. Organize estes compromissos de segunda a sexta, priorizando as tarefas estratégicas.”

  1. Preparar uma lista de compras

Informe quantas pessoas moram na casa, o orçamento disponível, as preferências alimentares e os produtos que já estão na despensa.

“Moramos quatro pessoas e preferimos refeições simples. Use estes produtos disponíveis e monte uma lista semanal limitada a R$ 500.”

  1. Analisar os gastos da família

Entregue os valores e peça uma organização por categorias. Depois, solicite a identificação dos aumentos e dos pontos em que o orçamento foi ultrapassado.

“Quero economizar sem eliminar o lazer familiar. Classifique estes gastos e identifique as despesas que mais aumentaram nos últimos três meses.”

  1. Escrever mensagens mais delicadas

Uso esse recurso para revisar mensagens de cobrança, correção ou negociação. Explico quem receberá o texto, qual é a nossa relação e o nível de firmeza necessário.

“Sou gestor e enviarei esta mensagem a um colaborador. Corrija o texto com firmeza, clareza e respeito, preservando meu jeito de falar.”

  1. Planejar a alimentação da semana

Informe o número de pessoas, as restrições alimentares, o orçamento e o tempo disponível. Em seguida, peça uma pesquisa de receitas compatíveis com essas condições.

“Somos quatro adultos e preferimos refeições simples. Pesquise receitas atuais e monte um cardápio de cinco dias, com preparo de até 40 minutos.”

Lazer

  1. Encontrar filmes e séries

Pedir apenas a indicação de um bom filme costuma gerar uma lista genérica. Informe sua idade, os gêneros preferidos, as plataformas assinadas e alguns títulos de que já gostou.

“Tenho 52 anos e gosto de filmes históricos e de guerra. Pesquise os catálogos atuais e indique cinco opções disponíveis no Brasil.”

  1. Montar um roteiro de viagem

Informe a idade dos viajantes, suas preferências e aquilo que desejam evitar. Depois, peça uma pesquisa atualizada de atrações, horários, valores e deslocamentos.

“Somos um casal de 50 anos e gostamos de história e museus. Pesquise informações atuais e monte um roteiro de quatro dias em Curitiba.”

  1. Descobrir passeios na própria cidade

Inclua seus interesses, localização, orçamento e eventuais limitações de mobilidade. Peça também a confirmação dos horários e das condições atuais de visitação.

“Tenho 52 anos e gosto de história, cultura religiosa e maçonaria. Pesquise na internet e sugira cinco passeios atuais no Rio de Janeiro.”

  1. Começar um hobby

Uma pesquisa bem orientada pode encontrar materiais e referências adequados ao seu nível. Depois disso, a ferramenta pode distribuir as atividades de acordo com o tempo disponível.

“Sou iniciante e tenho 20 minutos diários. Pesquise referências atuais e crie um plano de quatro semanas para aprender fotografia com o celular.”

  1. Escolher livros com mais critério

Informe o tema, seu nível de conhecimento, o idioma e sua preferência por textos técnicos ou didáticos. Solicite que a existência e a edição dos livros sejam confirmadas.

“Estou começando a estudar história da maçonaria e prefiro textos didáticos. Pesquise fontes confiáveis e indique cinco livros publicados em português.”

Vida profissional

  1. Melhorar textos e mensagens

Esse é um dos usos que mais fazem parte da minha rotina. Além da revisão gramatical, informo o canal, o público, o objetivo e o estilo que desejo preservar.

“Sou empresário e escrevo de forma direta e informal. Revise esta mensagem para WhatsApp, retire repetições e mantenha meu jeito de falar.”

  1. Organizar reuniões

Depois de uma reunião, entregue as anotações ou a transcrição e solicite a separação entre decisões, tarefas, responsáveis e prazos.

“Sou o coordenador deste projeto. Organize as anotações em decisões, pendências, responsáveis e prazos, destacando tudo o que depende de mim.”

  1. Priorizar e-mails

Uma rotina agendada pode verificar as mensagens e identificar aquelas que exigem resposta, decisão ou acompanhamento, facilitando a definição das prioridades do dia.

“Sou responsável pelas decisões comerciais e operacionais. Analise meus e-mails de hoje e classifique cada mensagem por urgência e ação necessária.”

  1. Analisar campanhas e resultados

Nas minhas agências, utilizamos IA para apoiar a leitura de campanhas, comparar indicadores e identificar pontos que precisam de investigação. A decisão final continua sendo tomada pelas equipes responsáveis.

“Sou gestor de marketing e quero gerar leads qualificados. Analise estes resultados e identifique avanços, quedas, hipóteses e próximos testes.”

  1. Preparar aulas e apresentações

Primeiro, defina o público e o objetivo. Depois, peça que a ferramenta pesquise o contexto da instituição e organize uma sequência capaz de conduzir o raciocínio.

“Apresentarei este projeto a gestores universitários. Pesquise o perfil da instituição e organize o conteúdo em dez slides objetivos e convincentes.”

Informação

  1. Criar um clipping personalizado

Defina os assuntos, as fontes, o período da pesquisa e a frequência. Em vez de receber somente links, peça uma explicação sobre a relevância de cada informação.

“Sou gestor e professor de marketing. Pesquise diariamente notícias recentes sobre IA aplicada ao setor e explique por que cada uma merece atenção.”

  1. Acompanhar empresas e concorrentes

Para evitar confusões, informe o nome completo da empresa, o setor e a região de atuação. A pesquisa pode monitorar lançamentos, crises, campanhas, mudanças e novas parcerias.

“Atuo com marketing digital no Rio de Janeiro. Pesquise diariamente estas empresas e destaque lançamentos, campanhas, crises, mudanças e novas parcerias.”

  1. Comparar a cobertura de uma notícia

Quando um assunto for controverso, peça que a pesquisa considere veículos com linhas editoriais diferentes e separe os fatos confirmados das interpretações apresentadas por cada fonte.

“Pesquise fontes atuais com linhas editoriais diferentes. Compare a cobertura deste fato e separe informações confirmadas, divergências e interpretações.”

  1. Aprofundar um assunto

Informe seu nível de conhecimento e solicite uma explicação adequada a ele. Peça também exemplos, dados recentes, contrapontos e referências que possam ser consultadas posteriormente.

“Tenho conhecimento intermediário de marketing. Pesquise fontes confiáveis e explique este tema de forma didática, incluindo exemplos, dados recentes e contrapontos.”

  1. Acompanhar o mercado financeiro

Esse recurso ajuda a reunir notícias, indicadores e análises sobre um ativo. As informações devem servir como apoio, sem serem tratadas como garantia de retorno ou substituição da orientação profissional.

“Sou um investidor de perfil moderado. Pesquise dados atuais deste ativo e separe fatos confirmados, análises de especialistas, riscos e opiniões especulativas.”

Como obter respostas melhores da inteligência artificial

A qualidade da resposta começa pela qualidade do pedido. Um comando eficiente deve apresentar o perfil de quem está perguntando, explicar o objetivo, fornecer o contexto necessário e definir como a resposta será utilizada.

Quando a recomendação envolver notícias, viagens, eventos, mercado financeiro, filmes disponíveis ou qualquer informação que possa mudar, inclua a orientação para pesquisar na internet. Também solicite a data da consulta e os links das fontes utilizadas.

Existe uma diferença entre pedir uma informação e entregar uma decisão. A IA pode reunir dados, comparar opções e mostrar riscos, mas questões médicas, jurídicas, financeiras ou estratégicas exigem conferência e, dependendo do caso, a participação de um profissional especializado.

Perguntas frequentes sobre inteligência artificial no cotidiano

O que significa inteligência artificial no cotidiano?

É o uso da IA em atividades comuns, como pesquisar, escrever, organizar compromissos, analisar informações, comparar opções e executar tarefas pessoais ou profissionais.

Como começar a utilizar IA no dia a dia?

Escolha uma atividade repetitiva, informe seu perfil, explique o objetivo e forneça o contexto necessário. Se a resposta depender de informações recentes, peça uma pesquisa na internet.

A inteligência artificial pode tomar decisões por mim?

Ela pode organizar dados, comparar possibilidades e indicar riscos. Decisões médicas, jurídicas, financeiras ou estratégicas precisam de conferência e responsabilidade humana.

O que é abordado em uma palestra sobre inteligência artificial?

A palestra apresenta aplicações práticas da IA no cotidiano, na educação, no marketing e na gestão, além das mudanças previstas para profissionais, empresas e instituições de ensino.

E agora?

Minha projeção é que, daqui a dois anos, a inteligência artificial estará conectada aos nossos e-mails, compromissos, pesquisas, documentos e sistemas, identificando prioridades e executando tarefas do cotidiano. Não vamos precisar abrir uma ferramenta e explicar tudo novamente a cada uso, porque a IA trabalhará integrada às rotinas pessoais e profissionais, assim como hoje esperamos que a energia elétrica esteja disponível sempre que acionamos um equipamento.

Palestras sobre inteligência artificial para empresas e instituições de ensino

Leve essa discussão para sua empresa ou instituição de ensino. Em minhas palestras, apresento exemplos práticos de como a inteligência artificial já está transformando o cotidiano, o marketing e a gestão. Também mostro o que deve mudar nos próximos dois anos e como profissionais e organizações podem se preparar.

Para levar esse tema à sua empresa, universidade, escola ou evento, deixe uma mensagem pelo formulário disponível nesta página ou fale comigo pelo botão do WhatsApp.

Continue comigo: livros, palestras e convites especiais

Se você curtiu essa visão, tenho dois convites especiais para você:

  1. Meus livros estão disponíveis em:
  2. Quer entrevistas, artigos ou palestras sobre IA aplicada ao marketing? Me chama aqui:
    https://a2digitalhub.com.br/andre-aguiar-palestrante-de-inteligencia-artificial-aplicada-marketing-digital/

E claro, para quem quer acompanhar dicas práticas, estudos de caso e bastidores do meu trabalho, estou montando um grupo fechado no WhatsApp, gratuito e cheio de conteúdo de valor.

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By Andre Aguiar

André Aguiar coordena o MBA AI-Native em Marketing Digital da Universidade Cândido Mendes, com lançamento previsto para 2027. O conceito AI-Native define uma formação em que a inteligência artificial não aparece como ferramenta complementar, mas como elemento central da estratégia, da criação, da mídia, da análise de dados e da tomada de decisão em marketing. Professor, palestrante, autor e especialista na área, atua há mais de 15 anos na formação de profissionais e na liderança de projetos para marcas como Cury Construtora e Hotel Nacional. Também ministrou treinamentos para corretores da DTB Florida Realty, nos Estados Unidos, e trabalhou por dois anos em Portugal em ações ligadas ao Programa Regressar, do governo português. Escreve ainda para veículos de Portugal e da Suíça sobre marketing, inteligência artificial, inovação, negócios e transformação digital. Sempre conectando conhecimento acadêmico às necessidades concretas do mercado.

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