Durante muito tempo, eu ensinei SEO como um jogo de encaixe. Quem escolhia “a palavra certa”, colocava no título, repetia com disciplina e organizava a página com headings básicos, tinha boa chance de subir. Aquilo não era errado. Era o retrato de um Google mais dependente de correspondência literal.

Durante muito tempo, eu ensinei SEO como um jogo de encaixe. Quem escolhia “a palavra certa”, colocava no título, repetia com disciplina e organizava a página com headings básicos, tinha boa chance de subir. Aquilo não era errado. Era o retrato de um Google mais dependente de correspondência literal.

Hoje, eu preciso ensinar diferente. O Google não olha apenas para o que foi digitado. Ele tenta entender o que a pessoa quer resolver. E, na prática, a mudança é simples de explicar, mas exige maturidade para aplicar: SEO deixou de ser “ranquear palavra” e virou “ser a melhor resposta para uma intenção”.

Eu vou seguir uma ordem bem didática: primeiro eu explico o que é SEO por intenção e como as buscas são tratadas hoje. Depois eu mostro uma timeline dessa migração. Em seguida, eu trago um case real para dar concretude. Aí sim eu entro nas 10 dicas práticas para você aplicar no WordPress. E, no final, eu fecho com um direcionamento claro.

O que é SEO por intenção e como o Google trata as buscas hoje

Eu gosto de começar com uma definição curta, do tipo que eu usaria em um quadro.

SEO por intenção de busca é a prática de criar páginas alinhadas ao objetivo real do usuário, e não apenas ao termo digitado. A palavra-chave deixa de ser o centro e passa a ser um sinal dentro de um contexto maior.

Para executar isso sem confusão, eu trabalho com quatro intenções, porque elas organizam pauta e estrutura de forma objetiva:

  • Intenção informacional: a pessoa quer aprender ou entender.
  • Intenção comparativa: a pessoa quer avaliar opções e decidir.
  • Intenção transacional: a pessoa quer agir, contratar, comprar, solicitar orçamento, agendar.
  • Intenção navegacional: a pessoa quer chegar em uma marca, site ou página específica.

O ponto que muitos ignoram é que intenção não é “achismo”. Eu confirmo intenção olhando para o resultado do Google. O SERP é o gabarito.

Checklist rápido do SERP que eu uso, em menos de um minuto:

  • O topo está dominado por artigos e guias ou por páginas de produto e serviço?
  • Existem caixas de perguntas e sugestões que indicam dúvidas recorrentes?
  • O Google destaca comparativos, listas de melhores, avaliações, mapas, vídeos ou shopping?

Quando eu faço esse diagnóstico, eu paro de escrever “no escuro”. Eu começo a escrever com alvo.

Timeline: do modelo de palavras-chave à semântica e, agora, à intenção de busca

Eu não ensino essa mudança como um conjunto de datas para decorar. Eu ensino como uma evolução de capacidade.

No começo, veio a fase da correspondência literal. O Google dava muito peso ao texto presente na página e à repetição de termos. Era comum ver páginas medianas vencerem por pura engenharia de palavra-chave.

Depois veio a fase da semântica e das entidades. O Google começou a organizar o mundo em “coisas” e relações. Isso muda o jogo porque “mesmo assunto” nem sempre usa as mesmas palavras.

Na sequência, o machine learning entrou no motor. O Google ficou melhor em interpretar buscas novas, entender consultas confusas e aproximar termos de significados.

Depois, a linguagem natural evoluiu bastante. O buscador passou a captar contexto e intenção com mais precisão, principalmente em buscas longas e conversacionais.

Nos últimos anos, eu observo dois movimentos ganhando força ao mesmo tempo: entendimento e utilidade. O Google fica mais competente em compreender, mas também fica mais exigente com conteúdo útil, claro e confiável. É aí que a intenção vira o eixo do SEO moderno.

Um microexemplo que eu uso para ensinar a mudança na prática

Vou pegar uma palavra-chave comum e transformar em intenção, do jeito que eu ensino para equipes de conteúdo.

Palavra-chave antiga: “melhor CRM”.

O erro clássico é escrever um texto genérico sobre “o que é CRM” e tentar ranquear para “melhor CRM”. A intenção real quase nunca é só entender o conceito. A intenção costuma ser comparativa, de pré-decisão.

Como eu reestruturo por intenção:

  • Intenção principal: comparar e escolher.
  • Subdúvidas inevitáveis: preço, facilidade, integração com WhatsApp, automação, suporte, curva de aprendizado, CRM para pequena empresa.
  • Estrutura que funciona: critérios de escolha, comparação objetiva, recomendações por cenário, perguntas frequentes e um próximo passo de decisão.

Isso é SEO por intenção aplicado. O termo existe, mas ele não manda na pauta. Quem manda é a decisão que o leitor quer tomar.

Case: como a Zema alavancou o tráfego orgânico ao tratar SEO como estratégia e não como repetição de palavras

Eu gosto de incluir um caso real porque ele corta o ceticismo do leitor. A Zema é um bom exemplo de migração para um SEO mais moderno, com foco em estrutura, experiência e conteúdo alinhado ao que as pessoas realmente buscam.

No case público, a estratégia descrita combina ações que têm tudo a ver com essa nova mentalidade: SEO técnico para corrigir limitações de rastreamento e indexação, reorganização de arquitetura e categorias, fortalecimento de páginas estratégicas e otimização de conteúdo para ampliar visibilidade em termos relevantes. A leitura prática é simples: eu paro de tentar “convencer o algoritmo” com repetição e começo a construir um site que responde melhor às intenções de busca, com navegação e conteúdo consistentes.

Os resultados reportados no comparativo de julho de 2025 contra julho de 2024 mostram ganhos objetivos: crescimento de 56% em cliques orgânicos, 57% em impressões e 109% no número de palavras na primeira página do Google.

A lição didática que eu tiro daqui é direta: quando arquitetura, conteúdo e intenção caminham juntos, o tráfego orgânico deixa de ser um acidente feliz e vira um ativo previsível.

10 dicas para aproveitar ao máximo o SEO por intenção no seu blog no WordPress

  1. Eu defino a intenção principal em uma frase
    Antes de escrever, eu respondo: esta página vai informar, comparar, converter ou orientar navegação? Se eu não consigo dizer isso em uma frase, eu ainda não estou pronto para produzir.
  2. Eu deixo o SERP me dizer qual formato vence
    Se o topo pede guia, eu não escrevo landing page. Se pede comparativo, eu não escrevo glossário. Eu sigo o padrão dominante porque ele revela intenção.
  3. Eu respondo cedo, sem enrolação
    A promessa do artigo precisa aparecer nos primeiros parágrafos. Se o leitor precisa “cavar” a resposta, ele sai.
  4. Eu estruturo por tópicos e subdúvidas inevitáveis
    Eu penso nas perguntas que surgem naturalmente depois da principal e organizo o texto para responder com lógica. Isso aumenta profundidade sem ficar prolixo.
  5. Eu uso linguagem natural e termos relacionados com propósito
    Eu não forço repetição. Eu amplio cobertura do tema com vocabulário real do assunto, porque estou ensinando de verdade, não “otimizando por medo”.
  6. Eu crio subtítulos que parecem perguntas de gente
    Em vez de “Benefícios”, eu uso “Quando isso vale a pena?” ou “Qual opção faz mais sentido para iniciantes?”. Isso melhora leitura e facilita o entendimento do Google.
  7. Eu incluo FAQ para fechar lacunas, não para encher página
    Eu uso de 4 a 7 perguntas que eliminem dúvidas reais, como objeções, diferenças e situações em que a recomendação muda.
  8. Eu faço linkagem interna como jornada
    Eu conecto informacional com comparativo, comparativo com transacional, e transacional com prova e cases. Um blog com bom interlink deixa de ser arquivo e vira sistema.
  9. Eu cuido do básico on-page no WordPress, sem frescura
    Slug curto e legível, título com promessa clara, meta description orientada à intenção, imagens com nome de arquivo coerente e texto alternativo útil. Sem exagero, sem firula.
  10. Eu reviso com rotina quinzenal no Search Console orientada à intenção
    Eu pego páginas com muita impressão e CTR baixo, vejo quais consultas estão gerando impressão e pergunto: minha página atende a intenção dessas consultas? Se não, eu ajusto título, introdução, escopo e headings antes de qualquer outra coisa.

E Agora

Se eu tivesse que deixar uma mensagem final, seria esta: o SEO moderno ficou mais humano porque a busca ficou mais humana. O Google está tentando entender pessoas, não apenas termos.

Quando eu planejo por intenção, escrevo com clareza, organizo por tópicos relevantes e mantenho uma rotina de revisão baseada em dados, meu blog deixa de depender de sorte. Ele começa a construir relevância de forma previsível.

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By Andre Aguiar

Conheça André Aguiar, um profissional multifacetado com formação em TI, matemática, publicidade, especialização em marketing digital e mídias sociais. André é diretor de marketing na DMX Web, Head de marketing da Pimentel e Lima Consultoria Jurídica e professor das Faculdades UNICORP, FAETEC-RJ e SENAI-RJ. Além disso, atuou como Head de Performance do Hotel Nacional - RJ, palestrante convidado na FGV (ES-RS) e professor do MBA em Marketing Imobiliário com ênfase no Digital na Faculdade UNICORP/THE SOLUTION.

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