12 dicas para se destacar nas buscas e recomendações das inteligências artificiais

Uma pesquisa realizada pela Zamplia em fevereiro de 2026 mostrou que 49% dos consumidores americanos entrevistados já compraram algum produto após uma recomendação feita por inteligência artificial. Desses, 31% fizeram isso uma ou duas vezes e 18% afirmaram já ter comprado várias vezes.

No Brasil, uma pesquisa do Opinion Box apresentada no CONAREC 2026 trouxe outro sinal dessa mudança: 29% dos entrevistados disseram já ter comprado algo indicado por uma inteligência artificial.

Os percentuais não devem ser comparados diretamente, porque são pesquisas diferentes, realizadas em mercados e contextos distintos. O que interessa aqui é o comportamento que ambas identificam: consumidores já estão usando recomendações de IA durante decisões reais de compra.

Na minha visão, as empresas precisam começar a considerar as inteligências artificiais também como uma nova fonte de descoberta e captação de clientes. ChatGPT, Gemini, Perplexity e outras plataformas já participam do topo e do meio do funil, ajudando consumidores a descobrir empresas, pesquisar produtos, comparar alternativas e selecionar quais opções considerar antes da compra.

Das ferramentas de busca para as inteligências artificiais generativas

Até poucos anos atrás, quando falávamos em captar clientes a partir de uma busca ou de uma necessidade manifestada no ambiente digital, grande parte das estratégias se concentrava em dois caminhos: busca orgânica e mídia paga.

De um lado estava o SEO, buscando posicionar sites e conteúdos nos resultados do Google. Do outro, plataformas como Google Ads e Meta Ads levavam potenciais clientes até sites, e-commerces e landing pages.

As inteligências artificiais generativas começaram a modificar essa dinâmica.

Hoje, o consumidor pode perguntar diretamente a uma IA qual produto comprar, quais empresas oferecem determinado serviço, quais são as melhores opções dentro do seu orçamento ou quais alternativas atendem melhor às suas necessidades. Isso cria uma terceira fonte de descoberta que precisa entrar na estratégia digital das empresas: busca orgânica, tráfego pago e inteligências artificiais generativas.

Isso não significa que o SEO perdeu importância. Pelo contrário. Um site organizado, indexável, atualizado e com conteúdo relevante continua sendo uma das bases para que as informações de uma empresa sejam encontradas, compreendidas e utilizadas também por outros sistemas.

É nesse contexto que aparecem conceitos como GEO, Generative Engine Optimization, e AEO, Answer Engine Optimization. Em termos simples, GEO é o conjunto de práticas utilizadas para aumentar as chances de uma marca, produto ou conteúdo ser encontrado e considerado nas respostas produzidas por inteligências artificiais generativas.

O gestor não precisa decorar novas siglas. O que precisa entender é a mudança que está acontecendo: sites, e-commerces e landing pages agora precisam ser preparados também para que esses sistemas compreendam quem é a empresa, o que ela oferece e para quais clientes seus produtos ou serviços podem fazer sentido.

A jornada mudou e a forma de medir resultados também

Existe outra consequência importante dessa transformação: a jornada de compra está cada vez menos linear.

Imagine um consumidor que conhece uma empresa por um anúncio no Instagram. Ele entra no site, olha o produto e sai sem comprar. No dia seguinte, pesquisa avaliações no Google.

Depois pergunta ao ChatGPT quais são as melhores alternativas, assiste a um vídeo nas redes sociais e, alguns dias mais tarde, digita o endereço da empresa no navegador e realiza a compra.

Nesse caso, identificar qual canal gerou a conversão deixa de ser uma resposta tão simples, porque o canal que registrou o último acesso não necessariamente foi responsável por iniciar ou construir a decisão de compra.

Uma conversão registrada como orgânica pode ter começado em um anúncio. Uma venda atribuída ao tráfego pago pode ter sido influenciada por uma pesquisa anterior em uma IA. E um acesso direto ao site pode ser consequência de vários contatos anteriores com a marca.

Na minha visão, esse é um dos ajustes importantes que os gestores precisam fazer na análise de performance: acompanhar o resultado total do negócio e entender como diferentes canais participam da construção da decisão do consumidor.

Isso não significa abandonar a análise por canal. Ela continua fundamental para avaliar campanhas, investimentos, públicos e estratégias.

A análise por canal ajuda a decidir onde investir. A análise das conversões totais ajuda a entender se o conjunto da estratégia está fazendo a empresa vender mais.

O que muda, portanto, é a interpretação. O último canal registrado não deve ser tratado automaticamente como o único responsável pela venda. Orgânico, mídia paga, redes sociais e inteligências artificiais podem participar, em momentos diferentes, da mesma conversão.

12 dicas para posicionar seu site, produtos e serviços nas inteligências artificiais generativas

O objetivo das ações a seguir não é simplesmente fazer uma marca aparecer em uma resposta. É aumentar a possibilidade de entrar no conjunto de opções que o consumidor considera quando utiliza uma inteligência artificial para pesquisar, comparar ou decidir uma compra.

Também não existe uma técnica capaz de garantir que determinada empresa será recomendada por uma IA.

O que podemos fazer é melhorar a qualidade, a organização, a disponibilidade e a confiabilidade das informações que esses sistemas encontram sobre nossos produtos e serviços.

1. Explique claramente o que sua empresa vende

Cada produto ou serviço importante precisa ter informações claras sobre o que é, para quem serve, quais necessidades atende, onde está disponível e quais são suas principais características.

Evite depender apenas de slogans, imagens ou expressões genéricas. Uma inteligência artificial precisa encontrar informações suficientes para compreender em quais situações aquela solução pode ser considerada.

Pense em uma imobiliária que descreve um lançamento apenas como “O apartamento que combina com seu estilo de vida”. Agora compare com: “Apartamentos de 2 quartos, de 45 a 52 m², na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, indicados para famílias que procuram o primeiro imóvel, com possibilidade de financiamento”. Para quem está pesquisando e para os sistemas que interpretam essa página, a segunda descrição oferece muito mais informação.

2. Estruture as informações para que máquinas também consigam entendê-las

Um site pode ser visualmente bonito e, ainda assim, apresentar suas informações de uma forma difícil de interpretar. Dados estruturados ajudam mecanismos digitais a identificar elementos como produto, preço, marca, disponibilidade, avaliações e características. O gestor não precisa saber programar isso, mas deve incluir essa preocupação no desenvolvimento e na manutenção do site.

Em um e-commerce de eletrônicos, nome, marca, modelo, preço, estoque, avaliação e oferta podem ser identificados por meio de marcações padronizadas como Product e Offer.

Para o gestor, a pergunta é simples: essas informações estão apenas visíveis para quem acessa a página ou também estão organizadas para que os mecanismos digitais consigam interpretá-las?

3. Responda às perguntas que seus clientes realmente fazem

As dúvidas recebidas diariamente pelo comercial, WhatsApp, atendimento e redes sociais mostram quais informações o consumidor procura antes de tomar uma decisão.

Transformar essas perguntas em conteúdo ajuda quem visita o site e aumenta a quantidade de respostas objetivas disponíveis sobre o negócio.

Pense em uma escola que responde todos os dias às mesmas perguntas sobre idade mínima, horários, mensalidades, material, metodologia e período de matrícula. Se essas respostas ficam apenas no WhatsApp, esse conhecimento não faz parte da presença pública da instituição. Quando estão organizadas no site, passam a ajudar clientes, mecanismos de busca e plataformas de IA.

4. Crie conteúdos que ajudem o consumidor a comparar e decidir

Comparar alternativas é uma das situações em que as inteligências artificiais podem participar diretamente da jornada de compra. Por isso, páginas que explicam diferenças entre produtos, planos ou serviços ajudam a responder perguntas que aparecem quando o consumidor já avançou no processo de decisão.

Uma empresa de software com três planos pode mostrar número de usuários, funcionalidades, integrações, suporte, preço e perfil indicado para cada opção. Quando alguém pergunta “Qual plano é mais indicado para uma empresa com dez funcionários?”, existem informações concretas para construir a resposta.

A empresa não precisa afirmar que todos os planos são perfeitos, mas explicar para quem cada um deles faz sentido.

5. Informe preço, disponibilidade e condições sempre que possível

Quanto mais objetiva for a informação comercial, mais fácil será para o consumidor e para uma IA avaliar se determinado produto atende ao que está sendo procurado.

Preço, estoque, prazo de entrega, formas de pagamento, garantia, localização, tamanhos e outras condições relevantes precisam estar disponíveis sempre que possível.

Pense em alguém que pergunta a uma IA: “Quero um notebook de até R$ 5 mil para trabalhar com edição de vídeo”. Uma página que informa processador, memória, armazenamento, placa gráfica, preço e disponibilidade oferece elementos concretos para comparação. Fotografias acompanhadas apenas de uma descrição publicitária genérica oferecem muito menos informação.

6. Mantenha as informações atualizadas

Informações desatualizadas prejudicam a experiência do consumidor e reduzem a confiabilidade da presença digital da empresa. Preços, produtos, horários, endereços, disponibilidade e condições comerciais precisam fazer parte de uma rotina de revisão, principalmente nos negócios em que esses dados mudam com frequência.

Um restaurante não deveria informar um horário no próprio site, outro no Google e um terceiro em uma plataforma de avaliações.

O mesmo acontece com um e-commerce que mantém indexada uma página com preço antigo ou produto fora de linha. Uma rotina de revisão já reduz boa parte dessas contradições.

7. Construa autoridade também fora do seu próprio site

Uma empresa não constrói sua presença digital apenas pelo que diz sobre si mesma.

Reportagens, portais especializados, associações, marketplaces, entrevistas, eventos, avaliações e outras fontes independentes ajudam a ampliar as referências disponíveis sobre a marca, seus produtos e sua atuação.

Uma empresa de energia solar pode produzir bons artigos no próprio site, mas sua presença se torna mais ampla quando também participa de uma associação do setor, aparece em veículos especializados, apresenta projetos realizados e recebe avaliações de clientes em plataformas externas. São diferentes fontes ajudando a explicar quem é aquela empresa e em qual mercado ela atua.

8. Apresente evidências, números e fontes

Expressões como “somos referência”, “somos líderes” ou “oferecemos o melhor atendimento” aparecem em milhares de sites e, isoladamente, dizem pouco. Sempre que possível, afirmações precisam ser acompanhadas por números, pesquisas, certificações, avaliações, cases, clientes atendidos ou resultados alcançados. A autoridade passa a ser consequência das evidências apresentadas, e não dos adjetivos escolhidos pela própria empresa.

Uma agência que se apresenta como especialista em marketing imobiliário, por exemplo, pode mostrar quantos projetos atendeu, onde atua, quantos leads suas campanhas geraram e apresentar cases documentados.

9. Mantenha a identidade da empresa consistente na internet

Nome, endereço, telefone, áreas atendidas, descrição dos serviços e demais informações importantes precisam permanecer consistentes nos diferentes canais digitais. Quanto mais divergências existem, mais difícil fica determinar qual informação está correta.

Uma clínica que mudou de endereço precisa atualizar o próprio site, seu perfil no Google, redes sociais e diretórios relevantes.

A mesma lógica vale para telefone, nome comercial, unidades, especialidades ou regiões atendidas.

10. Produza conteúdo baseado na experiência da sua empresa

Toda empresa acumula conhecimento a partir do contato com clientes, projetos realizados, dúvidas recorrentes, erros identificados, pesquisas e experiências do dia a dia.

Na minha experiência, esse conhecimento costuma gerar conteúdos mais úteis do que dezenas de artigos genéricos publicados apenas para manter um blog atualizado.

Uma operadora especializada em viagens para a Escandinávia pode explicar quais meses são mais indicados para diferentes perfis de viajante, quanto tempo reservar para cada país e quais erros seus clientes costumam cometer ao planejar o roteiro. É um conteúdo difícil de reproduzir apenas pesquisando informações genéricas na internet, porque nasce da experiência real da empresa.

11. Prepare seu catálogo para os ecossistemas de inteligência artificial

A próxima etapa vai além de esperar que uma inteligência artificial encontre as páginas de um site. Plataformas de IA já estão criando mecanismos para que comerciantes forneçam informações organizadas sobre seus produtos, incluindo dados como nome, descrição, imagens, preço e disponibilidade.

Na prática, é como entregar à plataforma um catálogo organizado e permanentemente atualizado, em vez de esperar que ela descubra sozinha todas as informações espalhadas pelo site.

Para uma loja virtual com milhares de produtos, acompanhar recursos como feeds de produtos e integrações oferecidas por plataformas como o ChatGPT começa a fazer parte da estratégia de distribuição digital.

12. Monitore sua presença nas inteligências artificiais

Assim como acompanhamos posições no Google, tráfego, campanhas e redes sociais, precisamos começar a observar como nossas marcas aparecem nas inteligências artificiais.

O mais importante não é perguntar apenas pelo nome da empresa, mas reproduzir as perguntas que um potencial cliente faria antes de escolher um produto ou serviço.

Faça um teste simples. Escolha dez perguntas que seus clientes normalmente fariam antes de comprar e pesquise periodicamente no ChatGPT, Gemini e Perplexity.

Observe se sua empresa aparece, quais concorrentes são mencionados, quais argumentos sustentam essas indicações, quais fontes aparecem e quais informações sobre sua empresa estão ausentes ou incorretas. Uma consulta isolada não representa um ranking definitivo, mas acompanhar um conjunto de perguntas ao longo do tempo pode mostrar como sua presença está evoluindo.

E agora?

Nos próximos dois anos, acredito que as inteligências artificiais vão ocupar um espaço cada vez maior na descoberta, pesquisa, comparação e escolha de produtos e serviços.

Para gestores, isso significa que preparar a presença digital para esses ambientes tende a deixar de ser uma discussão restrita ao marketing e passar a fazer parte da estratégia de aquisição de clientes. Quando seu próximo cliente pedir uma recomendação à IA sobre o mercado em que você atua, sua empresa terá informações suficientes para estar entre as opções consideradas?

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By Andre Aguiar

André Aguiar coordena o MBA AI-Native em Marketing Digital da Universidade Cândido Mendes, com lançamento previsto para 2027. O conceito AI-Native define uma formação em que a inteligência artificial não aparece como ferramenta complementar, mas como elemento central da estratégia, da criação, da mídia, da análise de dados e da tomada de decisão em marketing. Professor, palestrante, autor e especialista na área, atua há mais de 15 anos na formação de profissionais e na liderança de projetos para marcas como Cury Construtora e Hotel Nacional. Também ministrou treinamentos para corretores da DTB Florida Realty, nos Estados Unidos, e trabalhou por dois anos em Portugal em ações ligadas ao Programa Regressar, do governo português. Escreve ainda para veículos de Portugal e da Suíça sobre marketing, inteligência artificial, inovação, negócios e transformação digital. Sempre conectando conhecimento acadêmico às necessidades concretas do mercado.

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