Faz parte da minha rotina ter reuniões periódicas com os times da Level e da DMX. Nessas reuniões a gente senta, puxa os números, revisa o que rodou, o que deu certo, o que deu errado e, principalmente, tenta entender por que alguns leads chegam prontos para avançar e outros só fazem volume e dão trabalho para o comercial. Com o tempo, eu fui percebendo que as mesmas discussões se repetiam: ajuste de intenção, falhas na aplicação do planejamento, falta de acompanhamento, falta de estrutura de conversão e refinamento feito no improviso.
Foi desse processo, de conversar com especialistas, analisar campanhas reais e transformar decisões em rotina, que eu consegui reunir essas 30 dicas e organizar tudo em um guia prático. A ideia aqui é simples: ajudar o gestor de tráfego a usar as ferramentas de IA do Google Ads do jeito certo para atacar com mais precisão a intenção de busca que interessa para o cliente. Quando você aplica isso, você melhora a qualidade do tráfego, reduz lead desqualificado e deixa o algoritmo aprendendo em cima do que realmente tem valor, não só do que converte fácil.
Se você e seu time colocarem esse guia em prática, vocês vão perceber uma diferença bem objetiva no dia a dia. As campanhas ficam mais previsíveis, a análise fica mais clara, o refinamento vira processo e não um monte de tentativa. E o principal: em vez de só gerar lead, vocês passam a direcionar a IA para buscar o público que tem mais chance real de virar proposta e venda.
🔷 GRUPO 1. CRIAÇÃO DAS CAMPANHAS
1. Cluster de intenção
Agrupe campanhas pela intenção dominante do usuário, não apenas pela palavra-chave. Separe alta, média e baixa intenção para ajudar a IA a entender o estágio da jornada e otimizar lances com mais precisão desde o início. Isso também evita misturar tráfego pronto para comprar com tráfego ainda curioso.
Campanha 1: buffet corporativo RJ (alta)
Campanha 2: como organizar evento empresarial (média)
2. Broad Match com Smart Bidding
Utilize Broad Match apenas com estratégias automáticas como Maximizar Conversões ou tCPA. O Broad depende da IA para interpretar semântica e sinais do usuário. Sem Smart Bidding e boas conversões, a tendência é trazer volume com intenção errada e dificultar o aprendizado.
Keyword broad: buffet corporativo
Estratégia: Maximizar conversões com conversão primária configurada
3. Sinais de audiência
Suba listas de clientes, leads e visitantes como Observação nas campanhas. Esses sinais ajudam a IA a reconhecer padrões e encontrar usuários parecidos com quem já converte. Mesmo em Search, isso melhora a assertividade quando combinado com conversões bem definidas.
Customer Match com clientes fechados aplicado na campanha de Search em Observação
4. Anúncios alinhados à intenção
Escreva anúncios específicos para o público que você quer atrair. Quanto mais claro o filtro, maior a chance de cliques qualificados e menor a chance de curiosos. A IA também usa o texto do anúncio para entender intenção e melhorar a combinação termo, anúncio e landing.
Título: Buffet para eventos corporativos no Rio
Evitar: Soluções completas para eventos
5. Coerência semântica completa
Mantenha alinhamento entre termo de busca, anúncio e landing page. A IA avalia coerência para validar relevância e intenção. Quando a promessa do anúncio bate com o conteúdo da página, você reduz rejeição e aumenta a taxa de conversão qualificada.
Busca: buffet corporativo RJ
Anúncio: Buffet corporativo no Rio
Landing: página exclusiva para eventos corporativos
6. Separação por tipo de campanha
Crie campanhas distintas para marca, alta intenção e exploração. Isso evita contaminação de sinais e deixa mais claro para a IA qual objetivo e padrão de conversão cada grupo tem. Também facilita controlar orçamento e prioridade de intenção.
Campanha Marca: nome da empresa
Campanha Alta Intenção: termos comerciais
Campanha Exploração: Broad
7. Conversões desde o início
Nunca rode campanhas sem eventos de conversão configurados. Mesmo que no começo sejam microconversões, a IA precisa de sinais para aprender. Sem isso, ela otimiza para cliques e volume, e você perde tempo até chegar em tráfego de qualidade.
Configurar envio de formulário e clique no WhatsApp antes de ativar a campanha
8. Uso correto do Performance Max
Use Performance Max somente quando tiver conversões confiáveis e algum volume. Sem dados bons, a IA amplia público errado para “bater meta” de conversões baratas. PMax funciona melhor quando você já sabe quais sinais representam intenção forte.
Ativar PMax após Search gerar volume consistente de leads qualificados
9. Negativas estratégicas
Monte listas de negativas para bloquear intenção indesejada e manter o tráfego limpo. Mesmo com IA, negativas continuam sendo o filtro mais rápido para cortar ruído. Faça revisão frequente, principalmente nas primeiras semanas.
Negativas: grátis, curso, significado, vaga, salário
10. Orçamento para aprendizado
Defina orçamento suficiente para gerar volume de conversões. A IA precisa de dados consistentes para sair do aprendizado e reconhecer padrões de intenção. Orçamento baixo demais gera poucas conversões e deixa a otimização instável.
Se o CPA esperado é R$50, orçamento diário próximo de R$100 a R$150
🔷 GRUPO 2. CONVERSÃO E QUALIFICAÇÃO
11. Conversão primária vs secundária
Estruture conversões em dois níveis. Use microconversões para volume e uma conversão principal para orientar o algoritmo sobre o que realmente importa. Isso evita que a IA “vença” trazendo lead fraco só porque ele converte fácil.
Primária: proposta enviada ou lead qualificado
Secundária: formulário enviado e clique no WhatsApp
12. Captura do GCLID
Implemente campo oculto no formulário para capturar GCLID e armazenar junto ao lead. Esse identificador permite atribuir, no Ads, quais leads viraram qualificados ou vendas. Sem GCLID, você perde a ponte entre clique e resultado offline.
Formulário grava o GCLID no CRM ou planilha de leads automaticamente
13. Importação offline frequente
Envie regularmente ao Google quais leads viraram qualificados, proposta ou cliente. Isso ensina o Smart Bidding a perseguir perfis com intenção real, não só quem preenche formulário. Quanto mais frequente, melhor o aprendizado.
Upload semanal com leads marcados como qualificados ou “proposta enviada”
14. Critério claro de lead qualificado
Defina critérios objetivos para o comercial classificar lead qualificado. Se cada pessoa qualifica de um jeito, a IA recebe sinais inconsistentes e aprende errado. Critério bom é simples, mensurável e aplicável em minutos.
Qualificado somente se: empresa ativa + orçamento mínimo + decisor envolvido + prazo definido
15. Value-Based Bidding
Atribua valores diferentes para cada estágio do funil. Assim, a IA entende que uma proposta vale mais do que um lead bruto e passa a priorizar o que gera receita. Isso é uma forma prática de “ensinar intenção”.
Lead bruto = R$10
Lead qualificado = R$50
Proposta = R$200
Venda = valor real do contrato
16. Enhanced Conversions
Ative Enhanced Conversions para melhorar a correspondência entre conversões e usuários, reforçando o Smart Bidding. Isso é especialmente útil em jornadas longas, B2B e múltiplos dispositivos, onde a atribuição tende a falhar mais.
Enviar e-mail e telefone com hash na conversão do formulário
17. Qualificação rápida
Reduza o tempo entre a entrada do lead e a qualificação. Quanto mais rápido você marca o status e devolve esse dado ao Ads, mais rápido a IA aprende. Quando a qualificação demora semanas, o algoritmo otimiza no escuro.
Comercial qualifica em até 48h e atualiza o CRM para exportação semanal
18. Métrica principal correta
Avalie campanhas pelo custo por lead qualificado ou por proposta, não apenas CPL. CPL sozinho recompensa volume e não intenção. A métrica certa força ajustes em campanha, anúncio e landing para elevar a qualidade.
Dashboard principal: CPLQ (custo por lead qualificado) e custo por proposta
19. Integração Ads + CRM
Conecte o CRM ao Ads para fechar o loop com consistência. Se não der para integrar agora, use planilha padronizada e rotina fixa de exportação. O importante é manter o ciclo de dados vivo e confiável.
CRM exporta semanalmente: GCLID + status do lead + valor (se existir)
20. Monitoramento da taxa de qualificação
Acompanhe a taxa de qualificação por campanha, grupo e termo. Esse indicador mostra onde está a intenção mais valiosa. Sem isso, você pode escalar uma campanha barata que só gera ruído.
Campanha A: 30% qualificados
Campanha B: 8% qualificados
🔷 GRUPO 3. REFINAMENTO CONTÍNUO
21. Análise semanal de termos
Revise termos de busca com frequência para identificar ruído e novas oportunidades. Mesmo com IA, esse relatório ainda revela a intenção real que está entrando. Use isso para ajustar negativas, criativos e clusters.
Termo: “curso de eventos corporativos” entra na conta e vira negativa
22. Negativas contínuas
Negativas não são tarefa única, são processo. Atualize listas para impedir que a exploração semântica puxe tráfego fora do perfil. Isso protege orçamento e mantém o algoritmo treinando em cima de intenção correta.
Rotina quinzenal de revisão das negativas por campanha de Search e PMax
23. Comparar bruto vs qualificado
Compare volume de lead bruto com avanço no funil. A campanha boa é a que move ponteiro de qualificação e proposta, mesmo com CPL maior. Esse comparativo evita decisões baseadas só em custo.
Campanha X: CPL R$20, 5% qualifica
Campanha Y: CPL R$40, 35% qualifica
24. Atualizar Customer Match
Mantenha listas de clientes, propostas e leads bons sempre atualizadas. Quanto mais atual, mais útil para a IA reconhecer padrões recentes de intenção. Lista velha distorce o aprendizado.
Upload mensal: clientes fechados + propostas enviadas + leads qualificados
25. Criativos que filtram intenção
Use qualificadores no anúncio para afastar curiosos antes do clique. Isso reduz lead lixo, melhora taxa de conversão qualificada e ajuda a IA a entender qual perfil você quer atrair.
“Somente eventos corporativos acima de 100 convidados”
“Para empresas B2B, atendimento no RJ”
26. Monitorar impression share
Acompanhe participação de impressão nos clusters de alta intenção. Se você está perdendo por orçamento ou ranking, está entregando intenção quente para concorrente. Priorize verba e qualidade exatamente nesses termos.
IS perdido por orçamento acima de 20% na alta intenção, aumentar verba nessa campanha
27. Respeitar fase de aprendizado
Evite mudanças frequentes durante o learning period. Alterações constantes reiniciam o modelo e impedem a IA de estabilizar. Faça ajustes em janelas, com intervalo suficiente para medir impacto.
Mudou estratégia de lance, manter estabilidade por pelo menos 14 dias
28. Usar experimentos
Teste mudanças estruturais via Experiments para comparar com segurança. Isso evita que a campanha principal oscile e permite decidir com dados. Ideal para testar broad, criativos, landing e lances.
Experimento 50/50: Broad vs Phrase por 21 a 30 dias
29. Avaliar qualidade por canal
Compare qualidade de leads entre Search, PMax, Display e YouTube. Cada canal tem intenção média diferente. Ajuste orçamento e sinais com base em qual canal entrega melhor taxa de qualificação.
Search: 40% qualificados
PMax: 18% qualificados, reduzir expansão e reforçar sinais
30. Revisão semântica da landing
Revise a landing periodicamente para deixar claro público, contexto e oferta. A IA lê a página e usa isso para decidir relevância. Landing genérica tende a atrair intenção errada e derrubar qualificação.
Headline: Buffet corporativo no Rio para empresas B2B
Seção de filtros: ticket mínimo, formatos atendidos, região atendida
E agora?
O uso de inteligência artificial no Google Ads só tende a se aprofundar, com decisões cada vez mais automatizadas e orientadas por dados de comportamento real. Nós, gestores de tráfego, precisamos evoluir de operadores para estrategistas de sinais, dominando intenção, qualificação e integração de dados para extrair o máximo dessa nova fase da mídia paga.
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