30 dicas para otimizar intenção de buscas usando IA no Google Ads - André Aguiar

Faz parte da minha rotina ter reuniões periódicas com os times da Level e da DMX. Nessas reuniões a gente senta, puxa os números, revisa o que rodou, o que deu certo, o que deu errado e, principalmente, tenta entender por que alguns leads chegam prontos para avançar e outros só fazem volume e dão trabalho para o comercial. Com o tempo, eu fui percebendo que as mesmas discussões se repetiam: ajuste de intenção, falhas na aplicação do planejamento, falta de acompanhamento, falta de estrutura de conversão e refinamento feito no improviso.

Foi desse processo, de conversar com especialistas, analisar campanhas reais e transformar decisões em rotina, que eu consegui reunir essas 30 dicas e organizar tudo em um guia prático. A ideia aqui é simples: ajudar o gestor de tráfego a usar as ferramentas de IA do Google Ads do jeito certo para atacar com mais precisão a intenção de busca que interessa para o cliente. Quando você aplica isso, você melhora a qualidade do tráfego, reduz lead desqualificado e deixa o algoritmo aprendendo em cima do que realmente tem valor, não só do que converte fácil.

Se você e seu time colocarem esse guia em prática, vocês vão perceber uma diferença bem objetiva no dia a dia. As campanhas ficam mais previsíveis, a análise fica mais clara, o refinamento vira processo e não um monte de tentativa. E o principal: em vez de só gerar lead, vocês passam a direcionar a IA para buscar o público que tem mais chance real de virar proposta e venda.

🔷 GRUPO 1. CRIAÇÃO DAS CAMPANHAS

1. Cluster de intenção

Agrupe campanhas pela intenção dominante do usuário, não apenas pela palavra-chave. Separe alta, média e baixa intenção para ajudar a IA a entender o estágio da jornada e otimizar lances com mais precisão desde o início. Isso também evita misturar tráfego pronto para comprar com tráfego ainda curioso.

Campanha 1: buffet corporativo RJ (alta)
Campanha 2: como organizar evento empresarial (média)

2. Broad Match com Smart Bidding

Utilize Broad Match apenas com estratégias automáticas como Maximizar Conversões ou tCPA. O Broad depende da IA para interpretar semântica e sinais do usuário. Sem Smart Bidding e boas conversões, a tendência é trazer volume com intenção errada e dificultar o aprendizado.

Keyword broad: buffet corporativo
Estratégia: Maximizar conversões com conversão primária configurada

3. Sinais de audiência

Suba listas de clientes, leads e visitantes como Observação nas campanhas. Esses sinais ajudam a IA a reconhecer padrões e encontrar usuários parecidos com quem já converte. Mesmo em Search, isso melhora a assertividade quando combinado com conversões bem definidas.

Customer Match com clientes fechados aplicado na campanha de Search em Observação

4. Anúncios alinhados à intenção

Escreva anúncios específicos para o público que você quer atrair. Quanto mais claro o filtro, maior a chance de cliques qualificados e menor a chance de curiosos. A IA também usa o texto do anúncio para entender intenção e melhorar a combinação termo, anúncio e landing.

Título: Buffet para eventos corporativos no Rio
Evitar: Soluções completas para eventos

5. Coerência semântica completa

Mantenha alinhamento entre termo de busca, anúncio e landing page. A IA avalia coerência para validar relevância e intenção. Quando a promessa do anúncio bate com o conteúdo da página, você reduz rejeição e aumenta a taxa de conversão qualificada.

Busca: buffet corporativo RJ
Anúncio: Buffet corporativo no Rio
Landing: página exclusiva para eventos corporativos

6. Separação por tipo de campanha

Crie campanhas distintas para marca, alta intenção e exploração. Isso evita contaminação de sinais e deixa mais claro para a IA qual objetivo e padrão de conversão cada grupo tem. Também facilita controlar orçamento e prioridade de intenção.

Campanha Marca: nome da empresa
Campanha Alta Intenção: termos comerciais
Campanha Exploração: Broad

7. Conversões desde o início

Nunca rode campanhas sem eventos de conversão configurados. Mesmo que no começo sejam microconversões, a IA precisa de sinais para aprender. Sem isso, ela otimiza para cliques e volume, e você perde tempo até chegar em tráfego de qualidade.

Configurar envio de formulário e clique no WhatsApp antes de ativar a campanha

8. Uso correto do Performance Max

Use Performance Max somente quando tiver conversões confiáveis e algum volume. Sem dados bons, a IA amplia público errado para “bater meta” de conversões baratas. PMax funciona melhor quando você já sabe quais sinais representam intenção forte.

Ativar PMax após Search gerar volume consistente de leads qualificados

9. Negativas estratégicas

Monte listas de negativas para bloquear intenção indesejada e manter o tráfego limpo. Mesmo com IA, negativas continuam sendo o filtro mais rápido para cortar ruído. Faça revisão frequente, principalmente nas primeiras semanas.

Negativas: grátis, curso, significado, vaga, salário

10. Orçamento para aprendizado

Defina orçamento suficiente para gerar volume de conversões. A IA precisa de dados consistentes para sair do aprendizado e reconhecer padrões de intenção. Orçamento baixo demais gera poucas conversões e deixa a otimização instável.

Se o CPA esperado é R$50, orçamento diário próximo de R$100 a R$150

🔷 GRUPO 2. CONVERSÃO E QUALIFICAÇÃO

11. Conversão primária vs secundária

Estruture conversões em dois níveis. Use microconversões para volume e uma conversão principal para orientar o algoritmo sobre o que realmente importa. Isso evita que a IA “vença” trazendo lead fraco só porque ele converte fácil.

Primária: proposta enviada ou lead qualificado
Secundária: formulário enviado e clique no WhatsApp

12. Captura do GCLID

Implemente campo oculto no formulário para capturar GCLID e armazenar junto ao lead. Esse identificador permite atribuir, no Ads, quais leads viraram qualificados ou vendas. Sem GCLID, você perde a ponte entre clique e resultado offline.

Formulário grava o GCLID no CRM ou planilha de leads automaticamente

13. Importação offline frequente

Envie regularmente ao Google quais leads viraram qualificados, proposta ou cliente. Isso ensina o Smart Bidding a perseguir perfis com intenção real, não só quem preenche formulário. Quanto mais frequente, melhor o aprendizado.

Upload semanal com leads marcados como qualificados ou “proposta enviada”

14. Critério claro de lead qualificado

Defina critérios objetivos para o comercial classificar lead qualificado. Se cada pessoa qualifica de um jeito, a IA recebe sinais inconsistentes e aprende errado. Critério bom é simples, mensurável e aplicável em minutos.

Qualificado somente se: empresa ativa + orçamento mínimo + decisor envolvido + prazo definido

15. Value-Based Bidding

Atribua valores diferentes para cada estágio do funil. Assim, a IA entende que uma proposta vale mais do que um lead bruto e passa a priorizar o que gera receita. Isso é uma forma prática de “ensinar intenção”.

Lead bruto = R$10
Lead qualificado = R$50
Proposta = R$200
Venda = valor real do contrato

16. Enhanced Conversions

Ative Enhanced Conversions para melhorar a correspondência entre conversões e usuários, reforçando o Smart Bidding. Isso é especialmente útil em jornadas longas, B2B e múltiplos dispositivos, onde a atribuição tende a falhar mais.

Enviar e-mail e telefone com hash na conversão do formulário

17. Qualificação rápida

Reduza o tempo entre a entrada do lead e a qualificação. Quanto mais rápido você marca o status e devolve esse dado ao Ads, mais rápido a IA aprende. Quando a qualificação demora semanas, o algoritmo otimiza no escuro.

Comercial qualifica em até 48h e atualiza o CRM para exportação semanal

18. Métrica principal correta

Avalie campanhas pelo custo por lead qualificado ou por proposta, não apenas CPL. CPL sozinho recompensa volume e não intenção. A métrica certa força ajustes em campanha, anúncio e landing para elevar a qualidade.

Dashboard principal: CPLQ (custo por lead qualificado) e custo por proposta

19. Integração Ads + CRM

Conecte o CRM ao Ads para fechar o loop com consistência. Se não der para integrar agora, use planilha padronizada e rotina fixa de exportação. O importante é manter o ciclo de dados vivo e confiável.

CRM exporta semanalmente: GCLID + status do lead + valor (se existir)

20. Monitoramento da taxa de qualificação

Acompanhe a taxa de qualificação por campanha, grupo e termo. Esse indicador mostra onde está a intenção mais valiosa. Sem isso, você pode escalar uma campanha barata que só gera ruído.

Campanha A: 30% qualificados
Campanha B: 8% qualificados

🔷 GRUPO 3. REFINAMENTO CONTÍNUO

21. Análise semanal de termos

Revise termos de busca com frequência para identificar ruído e novas oportunidades. Mesmo com IA, esse relatório ainda revela a intenção real que está entrando. Use isso para ajustar negativas, criativos e clusters.

Termo: “curso de eventos corporativos” entra na conta e vira negativa

22. Negativas contínuas

Negativas não são tarefa única, são processo. Atualize listas para impedir que a exploração semântica puxe tráfego fora do perfil. Isso protege orçamento e mantém o algoritmo treinando em cima de intenção correta.

Rotina quinzenal de revisão das negativas por campanha de Search e PMax

23. Comparar bruto vs qualificado

Compare volume de lead bruto com avanço no funil. A campanha boa é a que move ponteiro de qualificação e proposta, mesmo com CPL maior. Esse comparativo evita decisões baseadas só em custo.

Campanha X: CPL R$20, 5% qualifica
Campanha Y: CPL R$40, 35% qualifica

24. Atualizar Customer Match

Mantenha listas de clientes, propostas e leads bons sempre atualizadas. Quanto mais atual, mais útil para a IA reconhecer padrões recentes de intenção. Lista velha distorce o aprendizado.

Upload mensal: clientes fechados + propostas enviadas + leads qualificados

25. Criativos que filtram intenção

Use qualificadores no anúncio para afastar curiosos antes do clique. Isso reduz lead lixo, melhora taxa de conversão qualificada e ajuda a IA a entender qual perfil você quer atrair.

“Somente eventos corporativos acima de 100 convidados”
“Para empresas B2B, atendimento no RJ”

26. Monitorar impression share

Acompanhe participação de impressão nos clusters de alta intenção. Se você está perdendo por orçamento ou ranking, está entregando intenção quente para concorrente. Priorize verba e qualidade exatamente nesses termos.

IS perdido por orçamento acima de 20% na alta intenção, aumentar verba nessa campanha

27. Respeitar fase de aprendizado

Evite mudanças frequentes durante o learning period. Alterações constantes reiniciam o modelo e impedem a IA de estabilizar. Faça ajustes em janelas, com intervalo suficiente para medir impacto.

Mudou estratégia de lance, manter estabilidade por pelo menos 14 dias

28. Usar experimentos

Teste mudanças estruturais via Experiments para comparar com segurança. Isso evita que a campanha principal oscile e permite decidir com dados. Ideal para testar broad, criativos, landing e lances.

Experimento 50/50: Broad vs Phrase por 21 a 30 dias

29. Avaliar qualidade por canal

Compare qualidade de leads entre Search, PMax, Display e YouTube. Cada canal tem intenção média diferente. Ajuste orçamento e sinais com base em qual canal entrega melhor taxa de qualificação.

Search: 40% qualificados
PMax: 18% qualificados, reduzir expansão e reforçar sinais

30. Revisão semântica da landing

Revise a landing periodicamente para deixar claro público, contexto e oferta. A IA lê a página e usa isso para decidir relevância. Landing genérica tende a atrair intenção errada e derrubar qualificação.

Headline: Buffet corporativo no Rio para empresas B2B
Seção de filtros: ticket mínimo, formatos atendidos, região atendida

E agora?

O uso de inteligência artificial no Google Ads só tende a se aprofundar, com decisões cada vez mais automatizadas e orientadas por dados de comportamento real. Nós, gestores de tráfego, precisamos evoluir de operadores para estrategistas de sinais, dominando intenção, qualificação e integração de dados para extrair o máximo dessa nova fase da mídia paga.

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By Andre Aguiar

Conheça André Aguiar, um profissional multifacetado com formação em TI, matemática, publicidade, especialização em marketing digital e mídias sociais. André é diretor de marketing na DMX Web, Head de marketing da Pimentel e Lima Consultoria Jurídica e professor das Faculdades UNICORP, FAETEC-RJ e SENAI-RJ. Além disso, atuou como Head de Performance do Hotel Nacional - RJ, palestrante convidado na FGV (ES-RS) e professor do MBA em Marketing Imobiliário com ênfase no Digital na Faculdade UNICORP/THE SOLUTION.

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